ACERVO I PERIÓDICOS
A Coleção de Periódicos existente no CEDEM é a reunião dos títulos e exemplares de todos os arquivos e coleções recolhidos, respeitada sua procedência e classificações originais. A Coleção é especializada em raridades da imprensa nanica e clandestina, principalmente dos períodos de exceção por que passou o país.

A maioria dos títulos dizem respeito: ao movimento operário; ao movimento anarquista do fim do século XIX e início do XX; aos redigidos em língua estrangeira dirigida as colônias brasileiras; ao movimento sindical; às organizações de esquerda e de exilados brasileiros que atuaram nos anos 60 e 70. Por serem produzidos sob condições precárias, em função da clandestinidade em que esses grupos políticos se encontravam, eles têm qualidade ruim de impressão (muitos usaram mimeógrafos), erros ortográficos, folhas de dimensão diversa, numeração e datas falhas etc.

Além dos periódicos produzidos no Brasil, há uma gama enorme de títulos de organizações e partidos das esquerdas internacionais.

Parte deles se encontra microfilmada, facilitando a reprodução por meio de leitora copiadora. Segue um histórico das principais coleções:

- Centro de Estudos do Movimento Operário Mário Pedrosa - CEMAP

O acervo de periódicos do Cemap, representa uma excelente amostragem das lutas políticas e sociais travadas no Brasil e demais países latino-americanos durante o século vinte. Sua constituição origina-se de coleções particulares de diversos militantes históricos da esquerda brasileira, como Fúlvio Abramo, Mário Pedrosa, Plínio Melo, Raul Karacik e Lívio Xavier e também de agrupamentos políticos de diversas tendências da esquerda nacional e que tiveram algum dos fundadores do Cemap ligados à sua trajetória, como a Liga Comunista Internacionalista e o Partido Socialista Brasileiro. O movimento sindical e as organizações de classe representados nas publicações específicas a cada profissão: Gráficos, Jornalistas, Metalúrgicos, Bancários etc.

Na coleção de periódicos do Cemap, a trajetória política de Fúlvio Abramo, está bem marcada pelos diversos títulos de jornais de todos os agrupamentos políticos nos quais ele militou, a começar pela Liga Comunista Internacionalista, representada pelos jornais Luta de Classe, e Boletim da Opposição, ambos do Rio de Janeiro, O Comunista, de Niterói, O Proletário, de São Paulo e Sob Nova Bandeira, todos estes editados na década de 1930. Também constam jornais franceses, porta-vozes do movimento trotskista internacional, que contribuíram para a linha política deste agrupamento: La Verité e Lutte de Classe.

Outros grupos dissidentes de filiação trotskista estão representados como de Hermínio Sacchetta, expulso do PCB no final dos anos 30, fundador do PSR - Partido Socialista Revolucionário, que editou os jornais Luta Operária e Orientação Socialista, da década de 1940; e os editados pelo Partido Operário Revolucionário, Revista Marxista Latino Americana, Frente Operária Estudantil e Correspondência Internacional.

A coleção de periódicos do Cemap, entretanto, não se limita aos órgãos de cunho trotskista, há uma excelente amostragem da imprensa clandestina como:

- A Classe Operária, órgão do PCB nos anos 30; Resistência, de 1944, suprapartidário, de São Paulo.

- Jornais produzidos durante a ditadura militar por grupos de esquerda, entre eles: Combate, de 1965 ligado ao PCB; Política Operária, de 1967, ligado à Polop (Política Operário); Bandeira Vermelha, de 1967 e 68, do Movimento Comunista Internacionalista; Revolução, de 1967 a 1970, O Guerrilheiro, de 1968 e 1972 e Venceremos, de 1970, todos da ALN (Ação Libertadora Nacional); Unidade Leninista, de 1968 e Movimento Operário, de 1969, ambos do POC (Partido Operário Comunista); Libertação, de 1968 a 1973, da AP (Ação Popular); Avante!, de 1969, do Grupo Trotskista Popular; Palmares, de 1970 da Var-Palmares; Imprensa Popular, de 1972, da Molipo (Movimento de Libertação Popular).

- Coleções praticamente completas de jornais alternativos da década de 1970, que, embora tivessem uma existência legal enfrentaram diversas intervenções da censura e da repressão, como: O Pasquim, Opinião, Movimento, O Bondinho, Ex, Coojornal, Nós Mulheres, Ovelha Negra, Versus, Em Tempo, O Inimigo do Rei.

- Archivio Storico del Movimento Operaio Brasiliano - ASMOB

Os periódicos encontrados neste Arquivo são títulos colecionados por Astrojildo Pereira, Roberto Morena e pelo ASMOB, produzidos desde o fim do século XIX até a década de 1980.

Essa coleção reflete claramente a atmosfera em que o movimento operário brasileiro nasceu, desenvolveu e se consolidou, além de mostrar os acontecimentos dos anos da ditadura militar dentro e fora do Brasil. Abrangendo um período de tempo significativo, abarca o vasto território brasileiro e internacional, além de compreender diferentes posições políticas, principalmente as de orientação de esquerda.

Os títulos demonstram claramente as três vertentes de seus maiores colecionadores:

- Astrojildo Pereira e sua trajetória como critico literário, militante anarquista e depois fundador do Partido Comunista Brasileiro;

- Roberto Morena sua militância como ativista sindicalista no Brasil e no exterior;

- e do próprio ASMOB como catalisador dos documentos produzidos pelos grupos latino-americanos exilados na Europa.

Disponibilizar estes exemplares à pesquisa é fruto do esforço de muitas pessoas que resistiram ao regime de exceção dos anos 70, retirando-os do Brasil, impedindo sua destruição pelo regime vigente e organizando-os dentro de critérios técnicos possíveis naquele momento. De volta ao seu lugar de origem, após mais de vinte anos de exílio, são fontes inéditas de pesquisa em várias áreas das ciências.

Alguns exemplos títulos existente:

O Amigo do Povo, de 1902, um dos primeiros periódicos do movimento operário brasileiro, dirigido pelo anarquista português Neno Vasco.

La Barricata, de 1913, que no início se chamava La Battaglia, escrito em italiano e dirigido por Orestes Ristori e Rodofo Felipe, tendo como um dos colaboradores Errico Malatesta.

A Semana Social, de 1917, exemplar raro e importante, dirigido por Antonio B. Canellas, primeiro delegado brasileiro na Internacional Comunista.

A Plebe, de 1917 a 1921, provavelmente um dos principais jornais anarquista brasileiro, dirigido por Edgard Leuenroth.

Boletim da Escola Moderna, de 1918, dirigido por João Penteado criador da "Escolas de Trabalhadores" baseado na metodologia elaborada por Francisco Ferrer, este periódico é dedicado aos problemas educacionais das classes trabalhadoras.

Alba Rossa, de 1919, escrito em italiano, coleção rara e quase completa, defendia a Revolução Soviética.

Spartacus, de 1919, periódico de grande importância para os lideres do movimento operário brasileiro, contribuindo com debates e posições relativas a Revolução Soviética.

Verde, de 1927, revista mensal de arte e cultura com a colaboração de Carlos Drumond de Andrade, Mario de Andrade, Ascenso Ferreira e outros.

Revista de Antropofagia, de 1928, fruto da Semana de Arte Moderna.

A Classe Operária, de 1928 a 1953, veículo oficial do Partido Comunista Brasileiro, importante documento para estudo e informações do PCB.

Entre os vários títulos sobre o exílio brasileiro encontramos:

Frente Brasileira de Informação, de 1971-1973, editado na Bélgica, Argélia, França e Itália, pelos grupos de exilados brasileiros nesses países, em língua local.

Unidade e Luta, de 1972, publicado no Chile, publicação marxista-leninista que pregava a reunificação dessa dessa tendência.

Resistência - ALN - MR-8, de 1969, publicado no Chile.

Nossa Hora, de 1978, editado em Bruxelas pelo Comite de Mulheres Brasileira.

Comite Europeen des Femmes Brasiliennes, de 1978.


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